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28 de março de 2014

Composição


Desato dores
- malmequeres bem
- bem-me-queres mais.
Amanheço por insistência
de água e fome.

Na terra quente
cavo a semente ancestral.
Estamos quites,
meu corpo
- filete em sopro
e as armas do dia.
Nossa memória é mútua
pelas raízes,
por cima das cruzes.

E isso é tudo:
vermelho púbere
- útero entre paredes
a compor a duração do tempo.


15 de outubro de 2013

para um dia de professor



se cada cansaço ao fim do dia vem
quando a noite chega
há que enfrentar cada obstáculo
e escrever luz com ternura
na lousa nossa  
de cada amanhecer

20 de setembro de 2013

apresentação



escrever é rasgar o avesso da vida.

depois a gente o costura:

as cordas têm várias cores

e mesmo que o sangue se esvaia

há cura.

17 de setembro de 2013

a manhã seguinte



se preciso for guarda a tua voz diante do silêncio

não interrompe o amor que nasce

caminha entre as linhas do tempo



teu passo desenha num traço

teu lábio uma oração

repete a palavra e mais uma vez e outra

ajoelha mesmo que seja na sombra

porque o poema te arrasta para a luz



a cada um de nós basta o  mistério do instante:
sobreviver

5 de setembro de 2013

de silêncios e de lembranças



gosto de sentar-me à porta ao entardecer
quando os dias são longos
envoltos em ventos frios
e as horas passam sobre o horizonte
em desalinho

o sol desaparece entalhado nas asas à deriva
as sombras agarram-se à terra
e o pensamento
é uma rua sem saída

anoitece entre as estrelas
o que ficou por dizer
é uma lembrança escorrendo pelos séculos
minhas mãos iluminadas por palavras
e minha boca
um silêncio moldado no estio