20 de setembro de 2013

apresentação



escrever é rasgar o avesso da vida.

depois a gente o costura:

as cordas têm várias cores

e mesmo que o sangue se esvaia

há cura.

19 de setembro de 2013

Haicai 110



a lua reflete

na madrugada insone

brilhos de água clara

Aprendizados



Naquela manhã, ela abriu os olhos e ouviu as gotas na janela. O céu era cinza e escuro. Um pássaro cortou as nuvens rapidamente e desapareceu. O cachorro marrom deitou-se no tapete da porta, atento aos rumores.

Na rua, as árvores debatiam-se nos seus galhos e  a enxurrada cobria o asfalto para logo desaparecer.

Olhando para a chuva, ela não podia impedir-se de admirar o dia. A ternura converteu-se em um sorriso generoso.

Era tempo de esperar  o sol das manhãs vindouras.

18 de setembro de 2013

Haicai 109



em tarde verde
pássaro cisca a sombra
no calor da hora

a poesia dos meus dedos



hoje a minha alma ecoa um som terno que atravessa o ar e vem ao coração, assim simples, assim bom, para que tudo seja mais humano e a gente não desista.
hoje o meu coração agradecido foi depressa e devagar e, finalmente, transformou-se numa tamanha confusão, numa tamanha alegria que parece impossível terminar!
há uma canção que me soou como a chuva fina numa vidraça, como a um vento leve no alto do arvoredo, como a uma fonte de água brotando na imensidão das serras e das nascentes.
um livro!
eu sempre acreditei que houvesse poesia em meus dedos.